INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

O que é e por que ela é tão importante no ambiente corporativo

Escutar o outro com empatia, pensar antes de tomar qualquer decisão, não se deixar levar pelas emoções, resolver os problemas utilizando, sobretudo, a razão. Tudo isso pode parecer simples mas, na verdade, representa um grande desafio para milhares de pessoas ao redor do mundo. A “inteligência emocional”, também conhecida pela psicologia como maturidade, é a capacidade do indivíduo de gerenciar e lidar com suas emoções. E se ela é importante para a convivência social, para o ambiente corporativo é, além de imprescindível, um grande diferencial.

Não raro profissionais das mais diversas áreas têm buscado auxílio em clínicas de psicologia para trabalhar conflitos que possuem com colegas de trabalho. A jornalista F.A.S., 36 anos, que pediu para não ser identificada, buscou ajuda de uma psicóloga por ter grande dificuldade de conviver com um colega no serviço que, além de querer interferir em sua área de atuação, deixava o ambiente pesado, tenso. “Era o tempo todo como se a opinião dele fosse a certa. Ele não ouvia ninguém e não sabia ouvir ‘não’. Eu me sentia sufocada o tempo todo”, contou.

Para a jornalista, o grande diferencial foi quando, após várias sessões de análise, percebeu que não adiantaria tentar mudar o outro e sim ela se portar diferentemente diante das situações. “Quando eu entendi que ele não iria mudar e sim que eu deveria me portar diferente, o ambiente melhorou. Eu me posicionei mais e passei a não ter medo ou receio de contrariá-lo”, frisou.

De acordo com a especialista em Recursos Humanos (RH) e diretora da Collaborative – Desenvolvimento Humano e Organizacional, a psicóloga Tatiane Domingues, entender que o outro pensa diferente e reagir com racionalidade e equilíbrio nos momentos de tensão são critérios tão importantes dentro de um ambiente corporativo quanto as qualificações profissionais. E ressalta: desenvolver a inteligência emocional no trabalho é uma tarefa que demanda esforço e dedicação. “As emoções e sentimentos estão em constante mudança e o nível de estresse e tensão dos ambientes profissionais podem dificultar o gerenciamento das emoções. Por isso, dependendo do grau de dificuldade da pessoa em lidar com suas questões emocionais, a procura por um profissional pode ajudar muito”, destaca.

Desafios atuais

Tornar o ambiente de trabalho um espaço saudável, de debate de ideias de forma que os colaboradores se sintam cada vez mais estimulados deve ser, segundo especialistas, uma das principais metas dos líderes empresariais. De acordo com estudiosos em RH, o funcionário deve se sentir seguro, inclusive, para denunciar agressões verbais, situações de assédio moral, etc. Sócia da Trajeto RH, Angélica Guidoni acredita que empresas estão cada vez mais dando abertura para que diálogos sobre diversos temas ocorram dentro de seu ambiente. E enfatiza: no ambiente corporativo não pode haver temas proibidos.

“Os líderes, assim como os representantes de Recursos Humanos, devem se engajar em aprimorar o conhecimento dos empregados sobre todos os temas, trazendo para a organização dados de pesquisas, autores que discutam temas delicados, promovendo rodas de conversa e um canal em que as necessidades possam ser expostas e cuidadas com zelo e comprometimento no desenvolvimento dos profissionais e da organização como um todo”, diz Angélica.

Para ela, algumas empresas podem adotar regras que ajudem no combate ao desrespeito às diferenças e que devem ser seguidas por todos os colaboradores. Uma maneira de estabelecer tais normas seria redigir um regulamento interno claro, contendo direitos e deveres. Assim, todos os funcionários se conscientizariam sobre o comportamento adequado dentro daquele local de trabalho. “É nele que o corpo diretivo da empresa mostra a todos seu funcionamento, valores e como desejam que seus funcionários representem a organização perante a sociedade”, afirma a especialista. É importante ressaltar que todos que trabalham na empresa devem ter conhecimento dessa política interna.

Como aprimorar as relações entre colaboradores

Sérgio Amad, head de canais da Kenoby (empresa de recrutamento e seleção), avalia que o gestor pode usar funcionários mais empenhados como “exemplos” para inspirar os demais. Para ele, os melhores colaboradores podem ter seus méritos reconhecidos e, assim, valores para a empresa podem surgir a partir do desempenho dos mais engajados com o trabalho. “O ideal é que o gestor avalie e selecione as pessoas que são produtivas, que performam bastante dentro da empresa, que têm características de sucesso e transforme tudo isso em valores para a empresa”, avalia.

Sérgio acredita que o estímulo possa vir a partir de games, que são propostos aos funcionários como desafios que serão recompensados, se cumpridos, e sempre no intuito de agregar companheirismo entre a equipe. Dessa forma, eles seguiriam a política interna da empresa e também poderiam auxiliar na criação de outras dinâmicas, nas quais eles possam sentir que têm voz e poder de opinião no local em que trabalham.

Diálogo: sempre o melhor caminho

O diálogo é a ferramenta mais assertiva para resolver conflitos, ressalta Sérgio Amad. Não apenas entre os colaboradores, mas também entre líderes, gestores e presidência. Com isso, a própria empresa pode avaliar de tempos em tempos como a política interna impacta os funcionários diariamente. “Uma dica é estar próximo do funcionário, gerando amizade e camaradagem”, comenta.

Diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional do Grupo NVH (empresa de gestão e contratação de pessoas), Márcia Avelar ressalta que o perfil da liderança é fundamental para manter o bom relacionamento e fazer com que todos os colaboradores respeitem e sigam as políticas internas da empresa. “Gerir pessoas não é tarefa fácil, pois cada um tem a sua história de vida, experiência profissional, percepção de mundo e tudo isso influencia no comportamento. O papel mediador do líder será fundamental para formar uma equipe unida e desenvolvida. Para isso, é importante criar um ambiente no qual as pessoas se sintam à vontade, inclusive para relatar qualquer postura inadequada e situações de constrangimento”, explica.